terça-feira, 30 de novembro de 2010

um dia de domingo

eu preciso te falar, te encontrar de qualquer jeito pra sentar e conversar. depois andar de encontro ao vento. eu preciso respirar o mesmo ar que te rodeia. e, na pele, quero ter o mesmo sol que te bronzeia. eu preciso te tocar e, outra vez, te ver sorrindo. te encontrar num sonho lindo. já não dá mais pra viver um sentimento sem sentido. eu preciso descobrir a emoção de estar contigo. ver o sol amanhecer e ver a vida acontecer. como um dia de domingo. faz de conta que ainda é cedo, tudo vai ficar por conta da emoção. faz de conta que ainda é cedo, e deixar falar a voz do coração. (8)

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

herói

terça, 23 de novembro. 02:06AM.

Somos heróis. Todo mundo precisa de heróis. Nos consideramos heróis. Nosso heroísmo passa de geração pra geração. Nossos problemas, nossas conquistas. Ressureição, dar a volta por cima, vencer o inimigo. Essas coisas. Ninguém é vilão, pelo menos ninguém quer ser. Nós não nos assumimos como pessoas ruins. Há sempre um porém, um motivo. Um não foi minha culpa, ou um mas se não fosse por este motivo, tudo estaria bem. Pense em ti como um vilão. Pense um pouco mais. E se no final das contas, fôssemos exatamente tudo aquilo que negamos ser? E se formos filhos da puta, traidores, oportunistas, interesseiros, invejosos, raivosos, depravados, infelizes, preconceituosos? Se não fôssemos filhos de Deus? Ninguém olhando por nós. Olho por olho e dente por dente. E se os hipócritas não forem realmente hipócritas? Nós sempre erramos. Podemos errar à respeito disso. À respeito de nós mesmos. Imagina-te, um maldito confesso. Sem remorso. Apenas sendo quem tu és. Um maldito. É tão ruim assim? Afinal de contas, todo mundo parece tão vazio e distante. Menos nós. Nós somos os mártires, o estandarte da nobreza do espírito. O orgulho da família, o título mais importante a se conquistar. E se nós fôssemos os hipócritas? Quanto tempo isso duraria? E se nós fôssemos desistentes, deprimidos, frustrados, sempre querendo algo que não temos e não precisamos, se nós amamos pouco, se descartamos os outros. Quem seriam os heróis? Pra onde foi todo mundo? E se a vida não tivesse sentido algum, apenas existência pura e simples e ao acaso? Ou se o amor não fosse amor e só reações químicas que o teu cérebro faz somente pra fazer-te espalhar teus genes tão pateticamente como fazem as flores com o pólen? E se o tempo passasse tão rápido que tu não vê os dias chegarem, e nós iremos morrer em breve e sem nenhuma vida após isso? Nenhum presente, nenhum céu. Preto. Puf!
Tu te perguntas. O que sobraria? Com ou sem sentido, as coisas continuam. Não depende de ninguém. Um dia tu acorda, no outro dia não. Um dia tu tens vontade, no outro dia não. Um dia, tu tentas, no outro desiste. Um dia tu desiste, no outro tu ganhas como um novo herói. Um dia tu tens vontade, no outro tu não acorda. Nunca se sabe. Preto. Puf!
Quando todo mundo está ficando louco, menos tu, quem é o louco? Quem tu escolhe ser, o herói ou o vilão? Tu te perguntas. Tem dias que não parecem dias. São dias que vêm como trégua. Tu senta e não faz nada. E nada. Num dia tu sentes vontade, no outro dia tu queres. Têm dias que não dão trégua. Tem outros que te fazem bem. Mesmo se tu for o vilão.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

BOOM!

quatro e meia da manhã de outra manhã.

Os dias costumam se repetir, o sol nasce em todos eles, mas alguns dias não são tão repedidos assim. Somos viciados em rotina e queremos acreditar que tudo está sob controle. A quebra de um ciclo é como pisar em falso, não ver o degrau, e tu só reparas quando o horizonte à tua frente treme, e sobe um pouco do nível que estava antes. Um baque seco, uma súbita exclamação, um chão que não está lá, ou um poste que tu não vistes. BOOM, te pega de surpresa.
Tu vê luzes piscando amarelas, azuis, vermelas, verdes, purpurina tilintando azul na frente dos teus olhos, o desenho de veias escuras e vermelhas ficando mais nítidas no canto da tua visão a cada pulsação. Uma leve tontura, um zunido no ouvido, e um cheiro de sangue que brota das tuas narinas. Tu nunca te acostuma com isso. Aquele embrulho no estômago e tu leva tuas mãos até o teu rosto. Teu cérebro mandando imagens aleatórias e tentando dar algum sentido pra aquilo no momento de confusão, tu simplesmente não sabes o que dizer.
O mundo vive embreagado no tédio, mas a verdade é que ninguém quer uma parada brusca, uma guinada, um sobressalto. Ninguém quer trocar um problema por outro, um prazer por outro, um problema por prazer, um prazer por um problema. Ninguém quer quebrar o ciclo, nem mudar de vida, nem ser nada maior. Ninguém quer sentir o impacto. Um impacto forte o suficiente faz com que teu cérebro balance dentro do teu crânio como um badalar de sino, e se for forte o suficiente, o teu cérebro esmagado contra a parede da tua prórpria cabeça vai mandar uma descarga elétrica para a tua espinha dorsal e vai fazer com que todos os teus membros entrem em falência instantânea, e que tu percas os sentidos.
Imagine um disjuntor estalando e desligando a força da tua casa para não queimar a tua tv. Isso se chama nocaute. Te pega de surpresa. Tu nunca te acostuma com isso.
Nós passamos a vida evitando o nocaute. Evitando o soco direto vindo no nosso nariz. Soco após soco, apelamos para o clinch até ficarmos exaustos numa luta onde não se ganha por pontos. Ninguém quer desferir o soco, e muito menos alguém quer levar o soco, sair com o olho roxo e apertado reluzente da pele esticada e inchada.
Uma luta infinita de homens e mulheres suados e exaustos e pesados que morrerão frustrados por nunca escutarem o gongo soar. O ciclo jamais se quebra.
Mas existem dias que o sol nasce, e alguém te soca a cara. Tu vê as luzes brancas e amarelas e vermelhas e verdes. Tu cai no chão e descansa.

E acorda pra um adversário melhor.