segunda-feira, 22 de novembro de 2010

herói

terça, 23 de novembro. 02:06AM.

Somos heróis. Todo mundo precisa de heróis. Nos consideramos heróis. Nosso heroísmo passa de geração pra geração. Nossos problemas, nossas conquistas. Ressureição, dar a volta por cima, vencer o inimigo. Essas coisas. Ninguém é vilão, pelo menos ninguém quer ser. Nós não nos assumimos como pessoas ruins. Há sempre um porém, um motivo. Um não foi minha culpa, ou um mas se não fosse por este motivo, tudo estaria bem. Pense em ti como um vilão. Pense um pouco mais. E se no final das contas, fôssemos exatamente tudo aquilo que negamos ser? E se formos filhos da puta, traidores, oportunistas, interesseiros, invejosos, raivosos, depravados, infelizes, preconceituosos? Se não fôssemos filhos de Deus? Ninguém olhando por nós. Olho por olho e dente por dente. E se os hipócritas não forem realmente hipócritas? Nós sempre erramos. Podemos errar à respeito disso. À respeito de nós mesmos. Imagina-te, um maldito confesso. Sem remorso. Apenas sendo quem tu és. Um maldito. É tão ruim assim? Afinal de contas, todo mundo parece tão vazio e distante. Menos nós. Nós somos os mártires, o estandarte da nobreza do espírito. O orgulho da família, o título mais importante a se conquistar. E se nós fôssemos os hipócritas? Quanto tempo isso duraria? E se nós fôssemos desistentes, deprimidos, frustrados, sempre querendo algo que não temos e não precisamos, se nós amamos pouco, se descartamos os outros. Quem seriam os heróis? Pra onde foi todo mundo? E se a vida não tivesse sentido algum, apenas existência pura e simples e ao acaso? Ou se o amor não fosse amor e só reações químicas que o teu cérebro faz somente pra fazer-te espalhar teus genes tão pateticamente como fazem as flores com o pólen? E se o tempo passasse tão rápido que tu não vê os dias chegarem, e nós iremos morrer em breve e sem nenhuma vida após isso? Nenhum presente, nenhum céu. Preto. Puf!
Tu te perguntas. O que sobraria? Com ou sem sentido, as coisas continuam. Não depende de ninguém. Um dia tu acorda, no outro dia não. Um dia tu tens vontade, no outro dia não. Um dia, tu tentas, no outro desiste. Um dia tu desiste, no outro tu ganhas como um novo herói. Um dia tu tens vontade, no outro tu não acorda. Nunca se sabe. Preto. Puf!
Quando todo mundo está ficando louco, menos tu, quem é o louco? Quem tu escolhe ser, o herói ou o vilão? Tu te perguntas. Tem dias que não parecem dias. São dias que vêm como trégua. Tu senta e não faz nada. E nada. Num dia tu sentes vontade, no outro dia tu queres. Têm dias que não dão trégua. Tem outros que te fazem bem. Mesmo se tu for o vilão.

Nenhum comentário:

Postar um comentário