quarta-feira, 1 de setembro de 2010

será que é possível?

será que o amor à primeira vista é realmente possível? sentado no sofá da sala, ele ponderou sobre aquela pergunta pelo que devia ser a centésima vez. lá fora, o sol de inverno há muito tempo se pusera. uma lustrosa e cinzenta neblina era visível pela janela, e, além do vento batendo na vidraça, reinava o silêncio. mas ele não estava sozinho. então se levantou do sofá e atravessou o corredor para olhá-la. enquanto olhava, pensou em deitar-se ao seu lado, no mínimo para ter a desculpa de fechar os olhos. precisava descansar, mas não queria correr o risco de adormecer. assim, observou-a se mexer levemente. pensou outra vez no caminho que os unira. quem era ele naquele tempo? e quem era ele agora? superficialmente, essas perguntas eram fáceis de responder. seu nome era Jonatan, tinha dezessete anos. Filho de pai e mãe separados quando nascera. estudante, estagiário, pensador, crítico, perfeccionista, idiota, cínico. aquelas eram as respostas que dava quando lhe perguntavam. embora fossem verdadeiras, ele às vezes tinha dúvidas se devia acrescentar mais alguma coisa. afastou-se da porta do quarto e voltou à sala de estar. embora não insistisse nos eventos ocorridos havia tanto tempo, tampouco conseguia deixar de pensar neles. apesar de haver momentos em que gostaria de poder voltar o tempo e apagar toda a tristeza, tinha a impressão de que, se o fizesse, sua alegria também seria diminuída [...] e naquele instante soube que queria tomá-la em seus braços. determinava aquele como o momento em que se apaixonara por ela, e nunca mais deixaria de amá-la. lá fora, o vento voltou a soprar. para além da escuridão espessa, ele nada conseguia enxergar, então deitou-se no sofá com um suspiro de cansaço, sentindo a influência daquele ano transportá-lo de volta no tempo. poderia ter forçado as imagens a se desfazer, mas deixou que viessem. sempre deixava. Isso, recordou, foi o que aconteceu a seguir.

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